das casas alheias II

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os meus pais já moraram em muitos lugares. tenho pena de não termos mais fotografias dos sítios onde morámos, especialmente a casa onde morámos mais anos – cheia de carácter, com portas de madeira antigas, chão de tacos (alguns eram esconderijos secretos de coisas pequenas), uma varanda que estava sempre cheia de plantas (era a única no prédio inteiro) que aprendi a amar… a cozinha com as suas bancadas e lavatório de mármore e uma enorme chaminé, debaixo da qual morava o fogão. a cozinha onde me aventurei nas primeiras explorações culinárias. a imagem nítida de fazer queijo e queques com a avó, a iogurteira que ficava a trabalhar durante a noite. coisas pequeninas, simples. foi difícil deixar aquela casa, tão repleta de memórias de uma família grande.

hoje, procuro alguns elementos  que me recordam aquela outra casa. entre eles, o relógio de bolso do pai que tantas vezes encontrou lugar na minha mão quando era miúda. isso e as colecções de selos, os livros de bricolage (será que ainda se usa esta palavra?), os de culinária, as fotografias…

essa casa ainda me povoa os sonhos muitas vezes e consigo ver-lhe nitidamente o corredor que me parecia muito comprido, cada quarto e recanto.

2 thoughts on “das casas alheias II

  1. passa-se o mm comigo qd vou a casa dos meus pais. procuro aqueles objectos que me levam à nossa outra casa, em Chelas. a memória é coisa extraordinária. e como consegue abraçar!
    *

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