menina-coisa

a menina-coisa tem sonhos do tamanho do universo. dá as boas-vindas a cada novo dia com a esperança infantil de que a luz cubra todos os recantos escuros. caminha na borda do passeio, enquanto segura nas mãos as flores que colheu pelo caminho. fecha os olhos ao passar do vento, da tempestade, do tumulto. é linda, assim e não o sabe. em cada poro, a segurança da sua fragilidade, a frustração da sua imperfeição. nem sempre fala com palavras. é preciso chegar perto, muito perto. olhar nos olhos e adivinhar nos gestos todos os ideais, todos os sentires, tudo o que cabe lá dentro. é nos detalhes que se revela e são os detalhes que lhe arrancam sorrisos e gargalhadas que preenchem as moléculas do ar de alegria palpável!

no silêncio da madrugada percorre os corredores da casa e chora, ora. conta as estrelas ao mesmo tempo que relembra ao pormenor todas as memórias doces de um passado que lhe parece simultâneamente tão distante e tão recente.

ama com a intensidade de quem mergulha no mar pela primeira vez. encontra no abraço do outro a incompreensível leveza de ter um lugar predilecto. teme a ideia de ser só coisa e não menina e, nesse abraço e nos milhares de abraços pelos quais anseia que se repitam eternamente, afugenta os medos.

a menina-coisa é mulher, mas sempre será menina enquanto guardar a esperança.

[dedicado a todas as meninas-coisa e aos que têm a coragem de as amar.]

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