:: fotogramas de um 8º andar ::

embrulho-me numa manta e sento-me na varanda a observar o dia que começa a despedir-se. os últimos raios de sol estendem-se, gentis, sobre as casas, a vegetação, as pessoas. alguém passa de bicicleta a assobiar. aves e cães juntam-se num concerto tão inusitado quanto belo. há um homem a tratar da horta. as couves estão tão espigadas que o ultrapassam em altura. daqui, as hortas parecem mantas de retalhos. um carro chia. ao fundo, o rio. quieto e tranquilo. imperturbável. passa uma gaivota à altura dos meus olhos e depressa desaparece no horizonte. está frio mas deixo-me estar, grata por poder estar em silêncio. há uma oração inaudível que é quase só um expirar. é o suficiente. por agora é suficiente.

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