//nada de novo\\

disclaimer: isto não é um texto. nem sei que lhe chamar. é uma-coisa-qualquer. não é um texto porque um texto envolve um grau maior de coerência. não é um texto porque isto se resume quase tudo a uma amalgama de perguntas.

realidade física e realidade virtual. o que é que já não foi escrito acerca disto? ‘não há nada de novo debaixo do céu‘, escreveu Salomão. quantos milhões de sinapses já terão sido gastas a ponderar as questões e micro-questões à volta disto?

para uma introvertida, estes espaços etéreos que se multiplicam são quase um antibiótico. o que não se consegue expressar verbalmente de forma alguma sai quase sem esforço, de olhos fixos no ecran, os dedos frenéticos no teclado. ou então um clique no disparador e uma fotografia ou duas condensam num instante uma mensagem, uma coisa-de-nada, uma memória. quase sem esforço é só uma forma de dizer. algumas coisas doem a saír. mas escrever ou fotografar sem saber ao certo quem vai encontrar ou julgar estas divagações dá uma espécie de segurança. encontrar like-minded people que parecem entender os teus inputs criativos ou lá que seja. algumas dessas pessoas nunca chegamos a conhecer pessoalmente. preocupamo-nos com elas, chegam às conversas do dia-a-dia como se fizessem parte dele fisicamente, invadem-nos estranhamente os sonhos quando dormimos. mantemos o contacto, com maior ou menor regularidade. prezo-as. these selected few.

então e quando o ecran se torna um conforto? e quando as janelas por onde espreitamos para as vidas uns dos outros não são mais que pequenos quadrados? habituamo-nos a ver tudo aos quadrados. pequenos instantes, histórias contadas pela metade. é agridoce este tipo de interacção. e se o que temos é apenas a ilusão de fazermos parte da vida uns dos outros?

nem consigo expressar quão confortáveis são estes espaços etéreos para quem prefere o recolhimento.

para quem se inquieta com a possibilidade de espaços cheios de gente ou de expectativas inalcançáveis.

mas será que batem a partilha silenciosa de um céu estrelado,

uma conversa sem pressas, olhos nos olhos,

um mergulho no mar,

as lágrimas

ou gargalhadas dos que nos são queridos?

há um equilíbrio que se deseja e anseia (re)aprender. será que precisamos de reabilitação? mais que tudo, precisamos de redenção.

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