paradoxos

Reconheço que não sabia o suficiente acerca de sofrimento e perda até há umas semanas.

Sim, vi partir algumas pessoas que amava ao longo dos anos. Mas foi a primeira vez que experimentei na pele, nos ossos, no peito a partida de alguém que me amava incondicionalmente. Ficamos mais pobres quando isso acontece. Tão mais pobres.

Como é que se sobrevive à dor, à ferida que parece não sarar? Como é que se volta à rotina, aos deveres, às expectativas dos outros? Como é que se acorda e adormece sem confirmar mentalmente que o que aconteceu realmente aconteceu? Quando é que os objectos, os pormenores nos podem trazer lembranças sem trazerem acoplada a dor lancinante?

O que me faz sobreviver é saber que a dor e a alegria podem ser companheiras de viagem. Que a incompreensão e as convicções podem viver no mesmo espaço exíguo da minha alma limitada e débil. Deus é Soberano e Deus é Bom. Agarro-me a estas certezas absolutas até me sangrarem os dedos. Porque deixada ao meu sofrimento, definho e desapareço. Saber que há algo maior do que eu, que há esperança segura maior do que a pior circunstância, permite esta harmonia paradoxal entre perplexidade e alegria. Permite que este lado da eternidade seja suportável e tenha propósito.

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