coração de naftalina

1. mãe. mom.

2. eu e a bisavó Cila, na praia. my greatgrandma and i, at the beach.

ir a casa da avó é um exercício de pura nostalgia. as histórias ainda lhe estão guardadas nos olhos cansados e nas gavetas a cheirar a naftalina, de onde saem pequenas fotografias, trabalhos em crochet com mais de 30 anos e latas repletas de minúsculos objectos.

ouvir a mãe falar da bisavó Cila e juntar às suas memórias as poucas que tenho dela faz-me pensar em como gostaria de viajar no tempo de vez em quando. segundo consta era exímia no reaproveitamento de materiais, fazendo-o não só por necessidade, mas como veículo de expressão criativa, mostrando-o nos pequenos detalhes.

sou muito grata pelo legado das mulheres da minha família, que sempre l(ab)utaram com as mãos e o coração contra as dificuldades. em todas elas vejo uma capacidade incrível de improvisar com poucos recursos. um dia gostava de poder escrever a história destas gerações antes da minha.

going to grandma’s house is an exercise of pure nostalgia. she still keeps stories tucked in her tired eyes an inside camphor-scented drawers, from which treasures emerge – small photographs, crochet items made over 30 years ago, tins full of tiny objects.

hearing mom talk about my great-grandmother and thinking of my own simple memories of her makes me want to time-travel once in a while. apparently she was an expert in repurposing, doing it not only out of need, but also as a means of expressing her creativity, and she did so in the small details.  

i’m very grateful for the legacy of the women in my family, who always fought with their hands and heart against all dificulties. in all of them i see an amazing ability to improvise out of simple resources. one day, i would like to be able to write the stories of the generations of women before me.

[how beautiful is this house and these sketchbooks.]

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