April 23, 2015

morte. vida a pulsar numa barriga habitada. pesar. dor. mágoa. gratidão. reencontros. abraços. indiferença. lágrimas. sorrisos. música. silêncio.

não há dois pratos nesta balança. cabe cá tudo por igual. por inteiro.

April 21, 2015

as palavras custam a ganhar forma, por vezes. a vida nesta terra é frágil. ínfima na sua duração. um vapor.

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Pai, sabes que somos pó,
que a nossa fibra é quebradiça.
Limitaste-nos no tempo
para nos distinguires de Ti, ilimitado.
As flores que apanho em gesto automático
já começam a definhar-me nas mãos.
São assim os nossos dias –
pequenos, frágeis.
Concebeste-os assim, sabiamente.
Em contraste,
a Tua misericórdia infinita,
soberba.
Tão soberba que a mente,
sujeita a Ti,
se contorce, perplexa.

[inspirado no salmo 103]

T H E * R E S C U E

April 18, 2015

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ignorei por momentos o facto de não ter aptidão alguma para desenhar animais porque tinha uma ideia a perseguir-me há dias, uma comichão no cérebro, nas mãos.

for a moment i ignored the clear fact that i have no talent for drawing animals. all because of an idea haunting me for days, an itch in my brain, in my hands.

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acho que não tenho fotografia que expresse tão bem de que massa são feitos estes 15 anos como esta.

fazia-nos jeito uma bússola para navegar este mar ora turbulento ora tranquilo em que é difícil separar o que é bagagem do que é intrínseco a esta fase. mas confio que, aos poucos, vamos aprender. e há tanto para aprender. se nos sentíssemos sempre capazes seríamos auto-suficientes. vamos sentir-nos incapazes todos os dias e isso é bom. coloca-nos no sítio certo. num lugar de fé e de dependência.

por vezes as mudanças de humor são tão exasperantes que apetece trancá-la até ter 30 anos. é a nossa fraqueza a falar. mas há alturas em que respiramos fundo e procuramos a solução em vez de chafurdarmos em auto-comiseração. há alturas em que basta corrigir uma vez e ignorar as restantes respostas ásperas. reagir ao mal com o bem. amaciar o coração com gestos de Graça vez após vez. um jantar na varanda, ver o céu a mudar de cor devagar, ouvir a banda sonora que se nos oferece como uma prenda. falar brandamente e chamar a atenção para pormenores de beleza que estão um pouco por toda a parte. e quando a aspereza dá lugar à meiguice e à paz, suspiramos de alívio. agradecemos ao Pai num sussurro. este golpe já passou. venha o próximo.

e nisto tudo, saber que não estamos sozinhos. que há gente a segurar-nos.

clareza e compromisso.

April 16, 2015

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o pedido mais recorrente dos últimos tempos.
quando não sabes o que vais encontrar do outro lado do muro, ainda podem haver certezas que trazem segurança. clareza e compromisso. duas palavras tão musicais quanto exigentes.

April 13, 2015

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embrulho-me numa manta e sento-me na varanda a observar o dia que começa a despedir-se. os últimos raios de sol estendem-se, gentis, sobre as casas, a vegetação, as pessoas. alguém passa de bicicleta a assobiar. aves e cães juntam-se num concerto tão inusitado quanto belo. há um homem a tratar da horta. as couves estão tão espigadas que o ultrapassam em altura. daqui, as hortas parecem mantas de retalhos. um carro chia. ao fundo, o rio. quieto e tranquilo. imperturbável. passa uma gaivota à altura dos meus olhos e depressa desaparece no horizonte. está frio mas deixo-me estar, grata por poder estar em silêncio. há uma oração inaudível que é quase só um expirar. é o suficiente. por agora é suficiente.