August 25, 2015

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esta viagem tem tido tanto de belo como de turbulento. hoje foi mais um marco e o dia esteve luminoso e leve. escolhemos testemunhas bonitas, companheiras nesta viagem. que têm estado perto nos momentos leves mas principalmente naqueles que doem e pesam. e somos tão gratos por isso. não só por estas três, mas pelas outras que o Pai nos tem dado. falta-me vocabulário para agradecer e os olhos marejam-se.

estes quatro anos têm sido, inquestionavelmente, os mais pedagógicos que me lembro de experimentar. nunca a Graça e dependência do Criador me foram tão claros, tão absolutamente vitais.

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this thing called love*

August 17, 2015

há sete anos a acordar deste lado da cama.

é curioso como a nossa concepção de amor vai sofrendo mutações ao longo dos anos. a maioria das canções de amor irritam-me. soam-me a falsidade. comédias românticas dão-me náuseas. gestos grandiosos e públicos de afecto fazem-me comichão. o amor está tão longe destas coisas quanto o sol está da terra. ontem, ouvia que ‘o amor não é fofura, é força’. e é tão verdade. só amamos porque em nós está impresso um Amor que nos ultrapassa. que vem da Graça. só amamos porque antes fomos amados. nós, criaturinhas vis e desprezíveis, amadas pelo Deus que é em Si mesmo Amor.

quanto mais conhecemos e vamos sendo conhecidos mais razões temos para nos desprezarmos. quanto mais perto estamos do âmago de quem somos, mais perto estamos das coisas feias, negras e repelentes. e é nesse lugar que o amor é posto à prova e pode sair vitorioso. quando o conhecimento uns dos outros se adensa, o Amor e a Graça têm que ser uma força avassaladora.

hoje acredito que o casamento é uma escola de transformação. e dói sermos transformados. às vezes dói como se nos estivessem a arrancar a pele a sangue frio. mas foi a forma mais inteligente que o Criador poderia ter concebido para o efeito. é uma segurança ao mesmo tempo que é confronto. na medida certa. na alegria e na tristeza. na saúde e na doença. na riqueza e na pobreza. i wouldn’t want it any other way.

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* this thing called love

//nada de novo\\

July 20, 2015

disclaimer: isto não é um texto. nem sei que lhe chamar. é uma-coisa-qualquer. não é um texto porque um texto envolve um grau maior de coerência. não é um texto porque isto se resume quase tudo a uma amalgama de perguntas.

realidade física e realidade virtual. o que é que já não foi escrito acerca disto? ‘não há nada de novo debaixo do céu‘, escreveu Salomão. quantos milhões de sinapses já terão sido gastas a ponderar as questões e micro-questões à volta disto?

para uma introvertida, estes espaços etéreos que se multiplicam são quase um antibiótico. o que não se consegue expressar verbalmente de forma alguma sai quase sem esforço, de olhos fixos no ecran, os dedos frenéticos no teclado. ou então um clique no disparador e uma fotografia ou duas condensam num instante uma mensagem, uma coisa-de-nada, uma memória. quase sem esforço é só uma forma de dizer. algumas coisas doem a saír. mas escrever ou fotografar sem saber ao certo quem vai encontrar ou julgar estas divagações dá uma espécie de segurança. encontrar like-minded people que parecem entender os teus inputs criativos ou lá que seja. algumas dessas pessoas nunca chegamos a conhecer pessoalmente. preocupamo-nos com elas, chegam às conversas do dia-a-dia como se fizessem parte dele fisicamente, invadem-nos estranhamente os sonhos quando dormimos. mantemos o contacto, com maior ou menor regularidade. prezo-as. these selected few.

então e quando o ecran se torna um conforto? e quando as janelas por onde espreitamos para as vidas uns dos outros não são mais que pequenos quadrados? habituamo-nos a ver tudo aos quadrados. pequenos instantes, histórias contadas pela metade. é agridoce este tipo de interacção. e se o que temos é apenas a ilusão de fazermos parte da vida uns dos outros?

nem consigo expressar quão confortáveis são estes espaços etéreos para quem prefere o recolhimento.

para quem se inquieta com a possibilidade de espaços cheios de gente ou de expectativas inalcançáveis.

mas será que batem a partilha silenciosa de um céu estrelado,

uma conversa sem pressas, olhos nos olhos,

um mergulho no mar,

as lágrimas

ou gargalhadas dos que nos são queridos?

há um equilíbrio que se deseja e anseia (re)aprender. será que precisamos de reabilitação? mais que tudo, precisamos de redenção.

avó

July 11, 2015

IMG_3505observar-te assim, a envelhecer. nem dei conta que o tempo passou e que já não tens a mesma energia. os braços que empurravam o carrinho de mão comigo e com o mano reguila lá dentro já não têm força. o teu riso que se ouvia à distância é mais contido. os teus olhos estão meio distantes. continuas a perder-te demais em pensamentos que se atropelam e emaranham aí dentro. a tua fé segura-te.
hoje olhei as tuas rugas de perto, esse mapa de caminhos e histórias que não tem fim. que pena que te envergonhas delas. ‘é só riscos. tenho a cara cheia de riscos’, dizes tu quando tento fotografar-te. se soubesses como me são queridos esses riscos.

June 29, 2015

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é impossível não descobrir laivos de Graça mesmo nos dias maus. é nos dias maus que a desejamos com mais intensidade, que a recebemos com mais gratidão.

June 29, 2015

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efémera quietude

June 19, 2015

coisas-de-nada recolhidas ao longo de uns meses.

a música a sair do rádio lá para o fim é esta, do Manel Ferreira.