solaris

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Solaris (1972), do russo Andrei Tarkovsky, trata da viagem do psicólogo Kris Kelvin a um planeta constituído basicamente por um oceano misterioso e que tem a capacidade de materializar memórias daqueles que o procuram entender e explorar.

é um filme rico e denso, despojado de técnica e efeitos especiais, apesar de ser à partida um filme de ficção científica. Tarkovsky quis despir a narrativa ao essencial e só não retirou qualquer alusão ao espaço por impedimento do autor do romance (Stanislaw Lem). o planeta solaris é pretexto para tratar assuntos como a persistência da memória, os relacionamentos, a procura por algo maior fora de nós.

as cenas longas, os diálogos e as inquietações, a teatralidade, o engenho dos planos e do que se escolheu mostrar ou deixar de mostrar cativou-nos cá em casa. foi uma boa porta de entrada para o universo Tarkovskiano e, segundo consta, a entrada mais fácil de todas. há filmes que continuamos a ruminar dias depois de os vermos. não fosse tão extenso e teria que o rever rapidamente.

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a song.

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chegar cedo e ter a praia quase vazia de gente. mergulhar naquelas águas tranquilas e férteis às 8h30 da manhã e ouvir os sons tímidos do início do dia ainda preguiçoso. água salgada, areia e sol parecem elementos simples, que tomamos por garantidos tantas vezes. parece um cliché, quase. mas é generosidade do Criador, é graça comum. tudo isto um imenso cântico.

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Does God proclaim Himself in the wonders of creation? No. All things proclaim Him, all things speak. Their beauty is the voice by which they announce God, by which they sing, “It is You who made me beautiful, not me myself but You”. – Agostinho

do salmo 19

morninga constância é uma espécie de bicho raro. felizmente, quanto mais inconstantes somos nos nossos desejos, no relacionamento com os outros, nos gostos… mais percebemos que a constância está fora de nós. se olharmos com atenção, ainda conseguimos ver a sua marca na criação. as estações, os tempos próprios para plantar e semear. a viagem dos planetas em torno do sol. o ciclo da água. a gestação de um bebé. tanta ordem, tanta beleza na ordem. “sem linguagem, sem fala”.

pomba

neste ‘negócio’ de trabalhar com os hobbits aprende-se umas coisas curiosas. aqueles mais hesitantes, mais medrosos, os menos confiantes no seu próprio esforço criativo são muitas vezes aqueles que apresentam os resultados mais interessantes. são inconvencionais sem saberem sequer o que isso é.


o T andou às voltas com uma proposta, sempre cheio de medo de errar, de não conseguir… preso. experimentou vários materiais. até que descobriu a tinta da china e a cana que desliza deliciosamente no papel kraft. e no fim celebrámos os dois. ele porque amou o processo e eu porque amei o processo e o resultado.