a new sketchbook

November 7, 2014

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à conta de um desafio vão surgir muitas borboletas nos próximos tempos.

November 4, 2014

antes de passar o portão da escola tive um presente tão bonito. as árvores altas e o relvado que o precedem estavam banhados pela mais perfeita luz, depois de uma manhã chuvosa e cinzenta. ao entrar, a simpatia do porteiro comoveu-me. como ainda era cedo para a aula, fui respirar para as traseiras. deixei-me estar uns minutos debaixo do grande plátano. o recreio estava num profundo silêncio. ao fundo ouviam-se vozes das salas e das auxiliares em conversas de fim de dia. ao olhar em volta apercebo-me do privilégio destes miúdos. muita relva, pinheiros e outras árvores, estruturas de madeira para brincar e espaço. comecei a imaginar aulas de exterior, quando o tempo o permitir. lá dentro ouço uns ‘olá’ e ‘boa tarde’ sorridentes de meninos que não fazem parte das minhas turmas. nas aulas explorámos sons do corpo e rimos muito, cantámos, dançámos. é a segunda semana e começa a entranhar-se aos poucos este novo espaço.

dos adolescentes que conheço ou com quem trabalho há muitos que sofrem do mesmo mal. a apatia é assustadora. o desinteresse total , sem qualquer milímetro de culpa pela falta de esforço, leva-me aos arames. arrastam-se pelo ano lectivo numa dormência, num torpor só quebrado pela esperada (mas exasperante) obsessão pelos amigos. não sabem interpretar nem a realidade nem a palavra escrita e isso prejudica e vicia todo o desempenho escolar. já para não falar dos relacionamentos. estamos a falhar big time. atafulhamos-lhes o cérebro de séries medíocres, livros medíocres, músicas medíocres, mantras absurdos (segue os teus sonhos, segue o teu coração, eu-eu-eu) e depois esperamos que sejam ‘crescidinhos’ e assumam responsabilidades na devida altura.

não me interpretem mal. amo cada um dos adolescentes com quem me relaciono. gosto de conversar com eles. é por isso que me inquieto acerca do seu futuro. que papel temos nós pais, educadores, irmãos mais velhos and whatnot? onde é que vão eles desencantar as ferramentas para desenvolverem as competências de pensar, de pesar consequências das suas acções e palavras, de ultrapassarem os traumas e a porcaria das modas parvas que surgem ao minuto? vaidade de vaidades e tudo é pó e passa. eventualmente.

a mentoria deveria ser uma aposta séria e estruturada nas escolas. prática comum noutros países, mas com pouca expressão em portugal, trata-se de investir na vida dos miúdos com a experiência, o olhar e o interesse genuíno de alguém mais velho. se pensarmos na quantidade de miúdos em situação de risco, sem tábua de salvamento de espécie alguma, a urgência é ainda maior. conheço muita gente com capacidade e tempo de sobra para este tipo de missão. conheço até quem esteja para se aventurar nos meandros do sistema de ensino português com a coragem e a ousadia de quem embarca numa odisseia. haja quem. e haja quem abrace projectos destes.

não queremos pseudo-adolescências eternas, que se traduzem em adultos ridículos. queremo-las significativas, proactivas. abertas ao outro e não fechadas sobre si mesmas. mas isso dá trabalho. dá muito trabalho.

into the void.

October 31, 2014

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October 28, 2014

feelings are overrated.

October 27, 2014

os sentimentos são altamente sobrevalorizados na nossa cultura, em tantos contextos. têm o seu lugar e o seu papel, sim. mas não devem ser ditadores irrascíveis, deterministas da forma como vivemos, como nos comportamos ou até do nosso discurso. não podemos estar à sua mercê, principalmente pela sua volatilidade. no mesmo dia podemos sentir tanta coisa díspar que não há como confiar neles às cegas. a frustração dá lugar à ternura e ao amor. o entusiasmo e a excitação dão lugar a uma tristeza infinita. não há como tomar decisões com base no que sentimos. seriam absolutamente ilusórias. a base tem que ser sólida, imutável, confiável. fé. amor. esperança.

28jeremias 17

October 25, 2014

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ainda era verão (o do calendário) quando, numa das visitas ao terreno dos avós, a avó pintou esta pedra. ela não faz ideia de quem seja a Joana Rosa Bragança, mas quando olho para esta fotografia, é das suas ilustrações que me lembro.