October 18, 2014

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um dia vamos descobrir a ervilha e cozinhá-la para o jantar.

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one day we’ll find that pea and cook it for dinner.

como é que se concilia alegria genuína (aquela que se agarra à pele e à alma como um parasita) ao dia-a-dia? quando no mesmo dia vives momentos intensamente bons e momentos intensamente e dolorosamente assustadores, como é que isso se faz?

foi em miúda que dei conta da distinção entre ‘alegria’ e ‘felicidade’. podes ser feliz sem ser alegre. a felicidade é uma anfitriã cruel que te põe fora de casa assim que deixas cair um copo. acompanha-te enquanto as coisas correm de feição, mas abandona-te no exacto momento em que mais precisas. foge-te, escapa-te como se tivesses lepra. a alegria é o que te segura no meio do caos, da confusão, da tristeza, do desespero. parece paradoxal, mas é segurança. a segurança de que Deus, infinitamente maior que tu, permite certas coisas para que aprendas a depender e a confiar. alegria permanente, não do tipo galhofa e riso estridente. mais do tipo isto-está-de-pernas-para-o-ar-mas-ainda-posso-confiar. mais do tipo que nos leva a agradecer independentemente das circunstâncias, independentemente do facto de nos sentirmos a desfalecer, assoberbados com a dimensão dos golpes.

louvar no fundo do vale da mesma forma que no topo da montanha é desafiador, parece tarefa hercúlea. mas não há como não o buscar. e, no final das contas, percebes que o louvor é mais real, mais cru quando as palavras já quase secaram, quando as lágrimas e o clamor são o combustível que o alimenta.

‘por isso não desfalecemos; mas ainda que o nosso homem exterior se esteja consumindo, o interior, contudo, se renova de dia em dia. porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória; não atentando nós nas coisas que se vêem, mas sim nas que se não vêem; porque as que se vêem são temporais, enquanto as que se não vêem são eternas.’
2 Coríntios 4:16-18

people in pages.

October 3, 2014

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tightrope walker.

September 29, 2014

15minúscula.

uma estranha companhia

September 24, 2014

flan

pardais balofos, ruído branco, o rio sereno, gente estendida a dormir nos bancos e eu a dormir de olhos abertos.

é a primeira vez que estou a mergulhar em Flannery O’Connor. não sei se escolhi a melhor altura para contos trágico-mórbidos (é mesmo preciso respirar entre cada um). talvez seja uma forma simplista de o resumir mas, até agora, ‘tudo o que sobe deve convergir’ parece retratar estranhas consequências que caem sobre indivíduos cheios de si próprios.

não dá para pousar o livro muito tempo sem nos voltarmos a perder na sua estranheza. uma estranheza que se entranha e deixa uma espécie de peso no peito, que não se consegue sacudir facilmente.

flannery

September 23, 2014

large

está na hora de rever.